Publicado por: greatbc | Abril 3, 2008

História evolutiva do meio de comunicação

Radio anos 50Rádio começou por ser uma simples transmissão radiofónica, mas com o aperfeiçoamento feito por Marconi no ano de 1896, a radiodifusão começa a adquirir grande importância nos anos 20. Mais tarde, a TSF (Telegrafia Sem Fios) vai entrar na vida de milhões de pessoas, tornando-se num meio indispensável no seu quotidiano. A partir daqui a rádio assume o papel de maior instrumento de cultura e informação, era sem dúvida um aparelho maravilhoso e nunca antes visto, daí o seu fascínio.

A Rádio chega a Portugal num período em que a cultura progride lentamente. Entretanto o meio comunicativo começa a expandir-se, mas só nas classes de elite, isto porque na altura era muito dispendioso a compra de um aparelho radiofónico. Mais tarde, a radiodifusão chega aos locais menos desenvolvidos do país, onde a maioria da população era camponesa e analfabeta, é no meio destas pessoas que em Portugal a rádio começa a ter relevância e utilidade. Para as pessoas não-letradas a rádio era um fenómeno, pois mesmo não sabendo ler nem escrever conseguiam acompanhar as notícias e as ideologias da época através destes aparelhos. Será considerada a maravilha do século e um dos meios de comunicação mais bem organizados. A época mais complicada para o desenvolvimento da Rádio portuguesa foi durante o regime Salazarista, pois as poucas emissoras existentes vão ter de obedecer aos valores implantados pelo regime, ou então encerrar devido à censura prévia. Mesmo assim, houve emissoras que foram privilegiadas pelo Estado, tais como, a Emissora Nacional, a BBC e a RCP (Rádio Clube Português), estas eram obrigadas a seguir os ideais políticos e a dinamizar os seus princípios. O Estado via neste meio de comunicação o aliado perfeito para levar adiante os seus objectivos, tais como, a difusão dos ideais salazaristas no ceio da população maioritariamente analfabeta.

anos 50

Durante a década de 50 as emissoras vão desfrutar dum aperfeiçoamento nos aparelhos técnicos e terão de modificar a sua programação para corresponder aos requisitos da população. Vai ser nesta altura que o número de aparelhos de rádio não irá chegar para os pedidos feitos pela população, pois a Rádio tornou-se «num meio de subsistência». Isto deveu-se um pouco ao crescente protagonismo da música no Mundo que arrastou multidões e ao baixo custo dos aparelhos de rádio. Foi entre os anos 50 e 60 que houve uma explosão de música nas várias estações de rádio no mundo, nomes como Elvis Presley, Rolling Stones ou Beatles marcavam a época. Todas as emissoras passavam os temas das estrelas do Rock, era fundamental para a juventude ter alguém que os conduzisse à crítica social e política, e era através destas «estrelas» que o faziam, rejeitando o racismo, a destruição da Natureza, a pobreza, as armas, etc.

Radio do carro

Após o ano da Revolução dos Cravos (1974), procede-se à nacionalização das emissoras e deixa-se de pagar taxas de radiodifusão (em Portugal). Estas são medidas consequentes do ambiente de liberdade que se vivia na época. Esta década vai marcar a estação da RR (Rádio Renascença), esta destacou-se a nível europeu devido aos seus progressos técnicos e à sua programação.

Radio portatil A década de 80 fica marcada pelo aparecimento das “Rádios Piratas”, estas eram rádios que no ponto de vista do Estado eram ilegais e clandestinas, pois não obedeciam a quaisquer regras de comunicação. O progresso irá continuar nos anos 90, pois passa a ser permitido aos repórteres enviarem de qualquer ponto do planeta os seus despachos via satélite. É nesta década que vai começar a aparecer as rádios privadas que vêem destabilizar um pouco o panorama do meio de comunicação e dar seguimento àquilo que as «Rádios Piratas» vieram impor na sociedade. Esta transformação fez com que actualmente tenhamos 3 operadores de Radiodifusão no país, sendo 2 desses sectores públicos e um outro privado: Temos então a RDP, que é uma filial da RTP (estação pública) e o grupo RR. A Rádio Comercial é o sector privado do país. Estes são os 3 grandes grupos de rádio em Portugal, as estações públicas têm várias subdivisões por todo o país o que faz com que sejam agrupamentos mais desenvolvidos.Somando todas as emissoras nacionais autorizadas a emitir temos hoje 347 estações de rádio no continente e nas ilhas.radio moderno Segundo as estatísticas da Marktest, o Grupo Renascença foi sempre a escolha feita pelos portugueses até há bem pouco tempo, mas nos últimos anos a RFM passou para a liderança de audiências no país. Têm-se notado o decréscimo das emissoras públicas e a ascensão das privadas. Esta mudança tem essencialmente a ver com o tipo de programação emitida pelas várias estações, e também às faixas etárias a que se destinam. Actualmente, a situação geral na rádio tem vindo a agravar-se, pois desde que o Estado português deixou de se preocupar com este meio comunicativo as coisas tomaram um rumo desorientador na rádio hertziana (portuguesa), deixando que a libertinagem tomasse conta de tudo. Tirando as rádios locais e as emissoras universitárias que têm vindo a crescer metodicamente, as restantes necessitam de remodelações urgentes para que não se perca o verdadeiro sentido e valor do que é fazer rádio. Nos dias que correm, o único objectivo das emissoras é o de ter maior número de ouvintes sem sequer se preocuparem com os valores culturais e históricos do sector. Como diz Rui Abreu: “ O panorama da rádio em Portugal é assim o de um imenso caos, onde as poucas ideias inovadoras são copiadas até à distorção dos propósitos originais, onde raramente se desbrava novo território e onde o conceito de serviço público parece completamente posto de lado.” (consultar o anexo 6 do separador “Rádio”); Isto quer dizer que desde que a rádio assumiu uma função económica e publicitária, entrou em decadência profissional no campo da divulgação de cultura e de informação.Radio na net Como todos sabemos a Internet tem vindo a assumir um papel fundamental na nossa sociedade o que faz com que o número de internautas (pessoas que navegam na Internet) aumente de dia para dia no nosso país. Uma pequena parte destes internautas são pessoas que estabelecem relações com a rádio através da Internet, no nosso país uma quantidade significativa de ouvintes ouve rádio a partir de casa ou do local de trabalho através da Internet. Esta, tem vindo a assegurar várias das funções anteriormente desempenhadas pela rádio, mesmo assim estes dois meios de comunicação têm conseguido manter a sua relação fazendo com que haja benefícios em ambas as partes. Contudo, há ainda muito trabalho para desenvolver neste campo, as emissoras têm de traçar objectivos concretos para a interacção com a Internet, para que possam desfrutar das suas potencialidades. Pois a net oferece à rádio muitos benefícios, tais como a inovação e a importância que as emissoras podem vir a ter. Todavia, o trabalho já feito neste campo ainda não é suficiente, é necessário responder aos desafios dos nossos dias, sobretudo enquadrá-los na vida dos jovens que exigem cada vez mais das novas tecnologias. Mesmo assim, é possível concluir que desta relação Internet – Rádio a população tem aproveitado bem as suas ofertas, e que esta relação tem influenciado o comportamento da sociedade, tendo alterado valores e costumes. O único senão desta conexão é o possível desaparecimento dos aparelhos de rádio no quotidiano da nossa sociedade, passando a Internet a ser a grande anfitriã dos serviços radiofónicos. (consultar anexo 5 do separador “Rádio”); Concluindo, pode dizer-se que a rádio se desenvolveu e expandiu mais nestes últimos 10 anos do que durante as restantes épocas de existência, isto por causa das várias situações politicas e culturais registadas no país ao longo dos tempos, assim como o aparecimento de novas tecnologias às quais a rádio teve de se adaptar.

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